Éticas do cuidado ambiental
O objetivo desta seção é contribuir para os prognósticos dos males do descuido ambiental através de uma reflexão em torno das noções de finitude heideggeriana, compaixão schopenhaueriana e responsabilidade jonasiana enquanto chaves conceituais de uma filosofia prática do cuidado ambiental.
Com a ideia de finitude assentada na filosofia de Martin Heidegger (1889-1976), busca-se destacar o perigo ôntico presente na ideia de técnica moderna enquanto devir exploratório que subtrai do ente o seu ser essencial de possibilidade, pois, com efeito, a técnica moderna fecha-se para a abertura poética que dá acesso ao possível da arte e interrompe o fluxo da vida em nome da extração energética.
Sob esse prisma, o apelo ao cuidado para com o chamado meio ambiente é menos uma questão de direito político do que de autenticidade ética, pois o cuidado, enquanto condição do existente cujas possibilidades encontram-se no ser-para-a-morte e numa entidade corpórea cuja vida é sustentada pela ocupação e preocupação transitórias, corre perigo ôntico quando lhe é vedada a aventura do desvelamento das possibilidades que o plano da finitude admite; quando a técnica se reduz a uma exploração energética que desrespeita a beleza fluida.
Com a ideia de compaixão, tal como aparece na ética de Arthur Schopenhauer (1788-1860), o objetivo é assinalar a possibilidade de uma trégua para o mal da racionalidade tanatológica que cresce à medida que se aprofundam as percepções da separação entre o homem e o ambiente; possibilidade essa que se visualiza através de uma ética fundamentada na identidade radical entre o homem e o mundo e cada coisa particular desse mundo na medida em que todos os fenômenos são pensados como representações eróticas de uma única vontade que se compadece de si mesma no bojo de suas relações internas.
Com a ideia de responsabilidade, tal como desenvolvida em O Princípio Responsabilidade: Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica, de Hans Jonas (1903-1993), o objetivo é prognosticar, através de uma heurística do temor baseada nos estudos científicos acerca dos impactos das técnicas modernas na vida existente, os males apocalípticos decorrentes da irresponsabilidade metafísica da civilização tecnológica.
Nesta parte
2.2.1 A ética da finitude
2.2.2 A ética da compaixão
2.2.3 A ética da responsabilidade
❦
Referências
JONAS, Hans. O Princípio Responsabilidade: Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Tradução Marijane Lisboa; Luiz Barros Montez. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.
COSTA, Israel Alexandria. Ética, lei e cuidado: estudos filosóficos acerca da plenitude da ação humana. Pirassununga, SP: Sdmarini, 2021. p. 70-71. [Fonte desta página.]
Atividade(s)
1) Atividade dissertativa básica — 2.2 Éticas do cuidado ambiental