Ética e cuidado
Chamamos de éticas do cuidado aquelas que se voltam para a questão da existência, do simples e mero estar-no-mundo, antes que para a questão do bem-estar. Elas se justificam desde a data de 6 de agosto de 1945, em que uma bomba atômica de urânio foi lançada sobre a cidade de Hiroshima e o homem passou a tomar para si a responsabilidade[1] de sustentar a existência de seres humanos. Responsabilidade esta que foi ampliada, desde 3 de junho de 1992, em que se deu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, quando a humanidade, se dando conta do sentido catastrófico de eventos como o aquecimento global, as chuvas ácidas e a destruição da camada de ozônio, passou a tomar para si a responsabilidade de sustentar a existência do próprio habitat terrestre. Eis porque esta parte do nosso estudo se divide em éticas do cuidado humano e éticas do cuidado ambiental.
Nesta parte
2.1 Éticas do cuidado humano
2.2 Éticas do cuidado ambiental
Notas
[1] No XVIII francês, os teístas viam tal responsabilidade como sendo da divindade universal. No Émile ou de L'Éducation (1762), Rousseau coloca na boca de um deísta a seguinte fala de educação religiosa: "[A divindade] limitou de tal modo suas [as do homem] forças que o abuso da liberdade que ela lhe deixa não pode perturbar a ordem geral. O mal que o homem faz retorna a ele sem nada mudar no sistema do mundo, sem impedir que a própria espécie humana conserve-se, apesar de tudo" (ROUSSEAU, 1969, v. 4, p. 587, grifo nosso).
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Referências
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Émile ou de L'Éducation. Paris: Gallimard, 1969, v. 4, p. 239-868. (Bibliothèque de la Pléiade).
COSTA, Israel Alexandria. Ética, lei e cuidado: estudos filosóficos acerca da plenitude da ação humana. Pirassununga, SP: Sdmarini, 2021. p. 52-53. [Fonte desta página.]
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